Reiki

Como o Reiki Chegou ao Ocidente e ao Brasil

Entenda como o Reiki chegou ao Ocidente por meio de Hawayo Takata, como se expandiu internacionalmente e como ganhou espaço no Brasil.

Prof. Tibério Z

Por Prof. Tibério Z

Caminho simbólico do Reiki do Japão ao Ocidente e ao Brasil com praticantes e energia luminosa

O Reiki chegou ao Ocidente por meio de Hawayo Takata, uma mulher norte-americana de origem japonesa que conheceu o método durante uma viagem ao Japão. Depois de estudar com Chujiro Hayashi, ela retornou ao Havaí e começou a atender, ensinar e formar praticantes fora do ambiente cultural em que o sistema havia surgido.

A passagem do Japão para o Ocidente não foi apenas um deslocamento geográfico. O método recebeu adaptações na forma de ensinar, nas posições das mãos, na organização dos níveis e na maneira de explicar a energia Reiki para pessoas que não conheciam a cultura, a espiritualidade e os termos japoneses.

Décadas depois, o Reiki entrou no Brasil por meio de cursos e praticantes ligados às linhagens ocidentais. Sua expansão ocorreu inicialmente em grupos privados, escolas e associações, chegando posteriormente a empresas, instituições de cuidado e serviços vinculados às práticas integrativas de saúde.

Como Hawayo Takata conheceu o Reiki no Japão

Hawayo Takata nasceu em 1900, na ilha de Kauai, no Havaí, em uma família de imigrantes japoneses. Depois da morte do marido, precisou sustentar as duas filhas e atravessou um período de trabalho excessivo, esgotamento e problemas de saúde.

Em meados da década de 1930, viajou ao Japão para comunicar pessoalmente à família a morte de uma de suas irmãs e procurar cuidados para sua própria condição. Durante essa permanência, conheceu a clínica dirigida por Chujiro Hayashi e começou a receber aplicações de Reiki.

Interessada no método, Takata pediu para aprender a prática. Recebeu o primeiro nível na primavera de 1936, permaneceu trabalhando e estudando com Hayashi durante aproximadamente um ano e depois recebeu o segundo nível. Essa formação criou a ligação que levaria o Reiki japonês para fora do país.

Qual foi o papel de Chujiro Hayashi na passagem do Reiki para o Ocidente

Chujiro Hayashi havia estudado com Mikao Usui e criou sua própria escola e clínica depois da morte do fundador. Seu trabalho preservava a transmissão recebida, mas apresentava uma organização mais voltada ao atendimento sistemático de pessoas.

Hayashi desenvolveu sequências de aplicação, posições padronizadas das mãos e orientações relacionadas a diferentes regiões e condições. Em sua clínica, a pessoa atendida permanecia deitada e podia receber Reiki de mais de um praticante, diferentemente de algumas formas anteriores de aplicação.

Foi essa versão mais estruturada que Takata aprendeu. Por isso, o Reiki que chegou ao Ocidente não correspondia exatamente a todas as práticas utilizadas por Usui, mas ao método transmitido e reorganizado por Hayashi antes de ser adaptado novamente no Havaí.

Como o Reiki começou a ser praticado no Havaí

Takata retornou ao Havaí em 1937, levando consigo os dois primeiros níveis do método. Pouco depois, Hayashi viajou ao arquipélago com sua filha para ajudá-la a apresentar o Reiki e estabelecer sua atuação fora do Japão.

Em fevereiro de 1938, Hayashi iniciou Takata como mestre de Reiki. Ela passou então a realizar atendimentos, oferecer cursos e iniciar alunos até o segundo nível, tornando-se a principal responsável pela continuidade ocidental da linhagem formada por Usui e Hayashi.

Takata manteve clínicas no Havaí, incluindo uma em Hilo, e passou muitos anos aplicando Reiki antes de ampliar sua atividade de ensino. O Havaí tornou-se, assim, a primeira base estável a partir da qual o método começou a alcançar outras regiões dos Estados Unidos.

Como surgiu o estilo ocidental de Reiki

Ao ensinar no Havaí e nos Estados Unidos, Takata simplificou parte do sistema que havia aprendido. Ela organizou uma sequência básica de posições das mãos e reduziu a presença de algumas práticas japonesas que não eram facilmente compreendidas pelo público ocidental.

Seu tratamento básico passou a concentrar posições sobre o tronco e a cabeça. Essa estrutura facilitava o aprendizado dos iniciantes e permitia que o método fosse repetido de maneira semelhante por pessoas que ainda não haviam desenvolvido maior sensibilidade energética.

Takata também transmitiu seus ensinamentos principalmente de forma oral. Os alunos anotavam informações, mas não recebiam uma estrutura histórica e teórica tão ampla quanto a disponível atualmente. Essa forma de transmissão ajudou a preservar o método, mas também permitiu que diferentes interpretações aparecessem posteriormente.

Como os mestres formados por Takata expandiram o Reiki

Durante a maior parte de sua atuação, Takata formou praticantes nos dois primeiros níveis. Somente nos últimos anos de vida intensificou a preparação de professores capazes de iniciar novos alunos e dar continuidade à linhagem ocidental.

Antes de morrer, em dezembro de 1980, ela havia formado 22 mestres. Essas pessoas começaram a ensinar em diferentes cidades, estados e países, multiplicando rapidamente o número de praticantes e professores ligados ao sistema ocidental.

Depois de sua morte, surgiram diferentes organizações e interpretações sobre a continuidade do método. Em 1983, um grupo de mestres criou a Reiki Alliance, reconhecendo Phyllis Lei Furumoto, neta de Takata, como sua sucessora dentro daquela linhagem. Barbara Weber Ray seguiu outra direção e desenvolveu a American International Reiki Association, contribuindo para o surgimento de outra vertente ocidental.

Quando o Reiki chegou ao Brasil

Os relatos históricos mais difundidos situam a chegada organizada do Reiki ao Brasil em 1983. Foi nesse período que o país começou a receber cursos ligados às escolas ocidentais que haviam se formado depois do trabalho de Hawayo Takata.

O mestre norte-americano Stephen Cord Saiki, ligado à American International Reiki Association, ministrou seminários no Rio de Janeiro. Registros da tradição brasileira citam cursos de nível 1 realizados no final de novembro e de nível 2 no começo de dezembro daquele ano.

Algumas fontes também atribuem participação importante ao médico Egídio Vecchio na introdução inicial do Reiki no país. Como existem relatos diferentes sobre quem deve ser considerado o primeiro introdutor, é mais correto compreender 1983 como o início de um movimento formado por diferentes pessoas, cursos e contatos com linhagens estrangeiras.

Quem participou da formação da primeira comunidade reikiana brasileira

Stephen Cord Saiki teve importância por realizar um dos primeiros programas organizados de formação no país. Seus seminários permitiram que um grupo de brasileiros recebesse iniciações e começasse a praticar e transmitir o método em território nacional.

Egídio Vecchio aparece em diversas narrativas como um dos responsáveis por apresentar o Reiki no Brasil em 1983. A Folha de S.Paulo registrou que ele trouxe a prática ao país e que o curso de Saiki ajudou a reunir os primeiros adeptos em torno de uma organização brasileira.

Claudete França tornou-se outro nome central dessa história. Ela recebeu sua formação completa como mestre em 1988, nos Estados Unidos, sendo apresentada como a primeira mestre de Reiki da América do Sul. Depois disso, participou ativamente da formação de praticantes e da divulgação do sistema Usui no Brasil.

Como o Reiki se consolidou no Brasil

Depois dos primeiros cursos, o Reiki começou a circular por escolas de terapias, centros espiritualistas, grupos de desenvolvimento pessoal e atendimentos particulares. A formação de novos mestres permitiu que o método deixasse de depender da presença constante de professores estrangeiros.

A partir da década de 1990, livros traduzidos, apostilas, cursos e novas linhagens ampliaram o acesso ao Reiki. Junto com o sistema mais conhecido de Takata, chegaram ao país métodos japoneses e ocidentais com diferentes formas de iniciação, símbolos e organização dos níveis.

Em 2017, o Ministério da Saúde incluiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde. Essa inclusão não transformou o método em substituto da medicina, mas reconheceu sua utilização como prática complementar dentro das diretrizes brasileiras de cuidado integrativo.

O que essa trajetória mostra sobre o Reiki

A chegada do Reiki ao Ocidente e ao Brasil mostra que uma prática espiritual também muda quando atravessa culturas, idiomas e formas diferentes de ensino. O método preservou sua base energética, mas recebeu adaptações para ser compreendido por pessoas que não participavam do contexto japonês original.

Essas mudanças explicam por que existem linhagens, histórias e formas de prática diferentes. Algumas escolas mantiveram uma estrutura mais próxima do estilo ocidental organizado por Takata, enquanto outras buscaram recuperar elementos japoneses que haviam ficado menos visíveis durante a expansão internacional.

Por isso, conhecer essa história ajuda o praticante a estudar com mais discernimento. O Reiki não deve ser visto como uma prática sem origem ou sem contexto, mas como um sistema que passou por pessoas, escolhas, adaptações e responsabilidades ao longo de sua transmissão.

Perguntas frequentes

Continue o aprendizado com orientação completa

Conhecer a chegada do Reiki ao Ocidente e ao Brasil ajuda a compreender por que existem linhagens, formas de ensino e adaptações diferentes dentro da mesma prática.

No Guia de Reiki para Iniciantes, esses fundamentos são organizados em uma sequência clara para quem quer estudar e praticar com responsabilidade.

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Prof. Tibério Z

Sobre o autor

Prof. Tibério Z tem mais de 30 anos de experiência no estudo e ensino da espiritualidade, metafísica, terapias holísticas e desenvolvimento da consciência.