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Aula 13 - O que é o amor

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Prof. Tibério Z

Por Prof. Tibério Z

Para compreender o que é amar, primeiro precisamos lembrar que somos um ser duplo. Existe em nós uma parte divina, uma fagulha de Deus, e existe o ego, que é a parte que se percebe separada, deseja, controla e cria condições.

O ego não consegue amar incondicionalmente. Ele ama por troca, por interesse, por posse e por expectativa. Para o ego, o amor depende de condições. Ele só ama se a outra pessoa fizer algo, obedecer, permanecer, agradar ou corresponder.

Quem ama incondicionalmente é a parte divina. O ego ainda está aprendendo a amar. Por isso, não precisamos transformar isso em culpa. Estamos no planeta Terra justamente para compreender a diferença entre o amor condicionado do ego e o amor verdadeiro.

O amor do ego sempre tem condições

O ego sempre coloca um “se” depois do amor. Eu amo se você for bonito. Eu amo se você me obedecer. Eu amo se você me der atenção. Eu amo se você agir como eu espero. Esse amor depende de uma troca.

Quando existe uma condição, não estamos diante do amor incondicional. Estamos diante de um comércio emocional. A pessoa oferece amor, mas cobra algo em troca. Cobra comportamento, aparência, fidelidade a uma ideia, obediência, presença ou satisfação dos próprios desejos.

Esse tipo de amor é comum porque o ego vê o mundo como algo separado. Para ele, a outra pessoa é um objeto externo, algo que pode ser conquistado, possuído, perdido ou controlado. Assim, amar vira uma forma de domínio.

O ego transforma amor em posse

Para o ego, tudo pode virar posse. Meu carro, meu cargo, meu título, minha mulher, meu marido, meu relacionamento, minha família. A palavra “meu” aparece como sinal de domínio. O outro deixa de ser um ser livre e vira propriedade emocional.

Esse é um dos níveis mais primitivos do amor. A pessoa só oferece amor se o outro pertencer a ela. Se o outro quiser ir embora, mudar, pensar diferente ou viver outra experiência, o ego sofre porque acredita que perdeu algo que era seu.

Mas ninguém pertence a ninguém. Cada consciência é livre. Quando transformamos uma pessoa em posse, deixamos de respeitar sua liberdade. E, sem respeito, não existe amor verdadeiro. Existe apego, medo, controle e comércio emocional.

O amor romântico virou comércio social

O conceito de amor que predomina na sociedade atual tem muita influência do amor romântico. Esse amor aparece como posse, sofrimento, dependência e idealização. A pessoa sofre, se anula, se molda e acredita que isso é prova de amor.

A sociedade transformou amor e relacionamento em comércio. As pessoas gastam dinheiro, tempo e energia para se tornarem objetos desejáveis. Mudam aparência, comportamento, corpo, roupa e estilo para receberem o direito de serem amadas por alguém.

Se a beleza muda, o amor acaba. Se o corpo muda, o interesse diminui. Se a pessoa não satisfaz sexualmente, o outro procura fora. Tudo isso mostra que não se trata de amor verdadeiro, mas de uma relação baseada em troca e consumo.

A ideia de alma gêmea também pode virar prisão

A ideia de alma gêmea costuma parecer bonita, mas também pode alimentar apego. Se somos seres eternos, vivendo infinitas experiências, imaginar que apenas uma pessoa corresponde a nós por toda a eternidade reduz a imensidão da existência.

O universo possui infinitos seres, infinitas trocas e infinitas possibilidades de aprendizado. Cada relação pode trazer algo para a consciência. Algumas pessoas passam por nossa vida por muito tempo, outras por pouco tempo, e todas podem participar do nosso crescimento.

Quando acreditamos que uma pessoa é nossa única possibilidade de amor, transformamos a relação em prisão. O amor deixa de ser liberdade e vira medo de perder. O ego se agarra à ideia de posse e sofre quando a vida muda.

Sexo e amor não são a mesma coisa

Sexo e amor são experiências diferentes. Pode existir sexo apenas por sexo, e pode existir sexo com amor. O problema começa quando a sociedade mistura tudo e transforma o desejo sexual em prova de valor, aceitação e amor.

Muitas pessoas passam a se ver como objetos em uma vitrine. Precisam ser desejáveis, atraentes e capazes de satisfazer o outro para continuarem sendo amadas. Assim, o corpo vira moeda de troca e o amor perde sua dimensão mais profunda.

Isso cria neuroses, inseguranças e cobranças. A pessoa teme não ser suficiente, não agradar, não corresponder ou ser substituída. Mais uma vez, o ego transforma o amor em comércio, posse e medo de abandono.

Amar começa com respeito

O amor verdadeiro começa com respeito. Sem respeito, não existe amor. Respeitar é reconhecer que o outro é outro ser, com opinião própria, história própria, consciência própria, escolhas próprias e caminho próprio. Ele não precisa se encaixar nas nossas regras.

Quando eu tento mudar alguém para que essa pessoa mereça meu amor, não estou amando. Estou impondo condições. Estou dizendo que ela só terá meu afeto se for como eu quero, se pensar como eu penso e se agir como eu espero.

O respeito permite que o outro exista. Ele pode ter outro ponto de vista, outro gosto, outra crença, outra forma de amar e outra forma de viver. Amar não é transformar o outro em cópia de nós. É respeitar sua existência.

O amor não cabe nos padrões sociais

A sociedade criou modelos rígidos de amor. Um homem deve amar uma mulher, casar, ter filhos e manter um formato considerado correto. Fora desse padrão, muitos olham como se não fosse amor, apenas porque não se encaixa na regra social.

Mas a essência não tem sexo. Estamos encarnados em corpos masculinos e femininos, mas o espírito não é homem nem mulher. Espíritos amam espíritos. O amor verdadeiro não depende do corpo, da forma social ou da expectativa cultural.

Quando Cristo falou em amar ao próximo como a si mesmo, não estava falando de amor romântico, posse ou padrão social. Ele não separou por sexo, raça, classe, aparência ou religião. O amor verdadeiro não cria categorias para respeitar.

O amor de mãe também não deve ser romantizado

A sociedade também criou categorias de amor. Diz que o amor de mãe é sempre o maior amor do mundo, que certos amores são mais puros e que outros são menores. Mas essa classificação nem sempre corresponde à realidade da experiência humana.

Nem toda mãe sente um amor imediato e profundo ao segurar o filho pela primeira vez. Muitas vezes, o amor nasce com o tempo, com a convivência, com o cuidado e com a construção da relação. Isso não deve virar culpa.

Quando criamos modelos rígidos de amor, afastamos as pessoas do amor real. Elas passam a tentar sentir o que a sociedade mandou sentir. Mas o amor não nasce de obrigação. Amor verdadeiro exige verdade, presença, respeito e liberdade.

Amar com o ego não é amar de verdade

O ego quer poder, domínio e controle. Ele quer que o outro se encaixe em suas expectativas. Quer ter certeza, posse, garantia e retorno. Por isso, quando o ego diz que ama, muitas vezes está apenas tentando manter algo sob seu comando.

O amor do ego pode virar escravidão. A pessoa diz que ama, mas não permite liberdade. Diz que ama, mas prende, cobra, acusa, controla e exige. Usa o amor como argumento para limitar a vida do outro.

Esse amor não liberta, não respeita e não amplia. Ele cria medo, dependência e sofrimento. Por isso, enquanto o amor estiver preso apenas ao ego, ele será sempre uma forma de troca, mesmo quando parecer bonito por fora.

O amor incondicional nasce quando vemos Deus em tudo

O amor incondicional nasce quando a pessoa compreende que tudo é Deus. Não existe apenas eu, você, a parede, a mesa, o cachorro ou a natureza como coisas separadas. Tudo é manifestação do Criador em formas diferentes.

Quando olho para alguém e percebo que essa pessoa também é Deus, não posso tratá-la como objeto. Ela merece respeito. O cachorro é Deus e merece respeito. A árvore é Deus e merece respeito. A natureza inteira merece respeito.

Amor incondicional é isso. É reconhecer Deus em tudo. Não é romantizar tudo, nem falar de amor como novela. É respeitar cada forma de existência porque cada forma carrega a presença divina em si.

Colocar condições no amor é colocar condições em Deus

Se a pessoa diante de mim é Deus, quando imponho condições para amá-la, estou impondo condições a Deus. Quando digo que só amo se ela agir como quero, estou exigindo que Deus se manifeste conforme as minhas regras.

Isso mostra o quanto o ego é limitado. Ele quer organizar a realidade de acordo com seus desejos. Quer que o outro fique, obedeça, corresponda e não mude. Mas a vida é feita de movimento, encontros, trocas e despedidas.

Se alguém decide ir embora, é uma consciência livre seguindo outro caminho. O ego sofre porque vê perda. O divino compreende que a existência é fluxo. As pessoas entram em nossa vida, compartilham experiências e depois podem seguir para outras salas.

As relações são encontros dentro de um grande labirinto

A existência pode ser vista como um grande labirinto com muitas salas. Em cada sala, encontramos pessoas, vivemos trocas, resolvemos questões e expandimos a consciência. Depois, algumas pessoas seguem para outras salas, e nós também seguimos para novos encontros.

Uma pessoa que hoje é parceira pode ter sido mãe em outra vida, irmão em outra, amigo em outra ou alguém com quem havia questões antigas. As relações se reorganizam conforme as experiências que precisam ser vividas.

Quando a experiência entre duas consciências se completa, pode haver separação. Isso não significa fracasso. Significa que aquela etapa cumpriu seu papel. O apego sofre porque quer manter tudo parado, mas a consciência cresce pelo movimento.

O apego transforma amor em sofrimento

Buda dizia que o apego é uma das causas do sofrimento. O apego nasce quando acreditamos que algo ou alguém nos pertence. Mas nada nos pertence de verdade. Nem pessoas, nem corpos, nem objetos, nem cargos, nem relações.

Tudo pode ser visto como empréstimo. A pessoa ao nosso lado hoje pode não estar amanhã. Pode ir embora, pode desencarnar ou podemos desencarnar antes dela. Essa percepção torna o momento mais valioso, porque nada está garantido.

Quando entendemos isso, o amor se manifesta no agora. O eu te amo precisa ser dito agora. O respeito precisa acontecer agora. O cuidado precisa ser vivido agora. O ego adia porque acha que possui. O amor verdadeiro reconhece que o momento é único.

Amar é dar liberdade

Existe uma frase antiga que diz: amo as coisas livres. Se elas ficam, é porque querem ficar. Se vão embora, é porque não queriam ficar ou porque não pertenciam àquele momento. Essa visão se aproxima mais do amor verdadeiro.

Dar liberdade é permitir que o outro seja Deus do modo como ele precisa ser. É não prender, não amarrar, não tentar controlar seu caminho. Se a pessoa permanece, permanece por escolha. Se parte, parte porque a vida a chama para outra experiência.

Todas as vezes que sofremos por amor, quem sofre é o ego. O divino não perde nada, porque é tudo. A dor vem da posse, da expectativa e da ideia de que algo que era nosso foi tirado.

Amar a si mesmo também é respeitar Deus

Amar ao próximo como a si mesmo também exige amor por si. Se você é uma partícula de Deus, também merece respeito. Desrespeitar a si mesmo, se abandonar, se odiar ou se diminuir é deixar de respeitar Deus em você.

Amar a si mesmo não é vaidade. É reconhecer que existe uma presença divina dentro de você. Seu corpo, sua história, sua consciência e sua experiência também fazem parte da criação. Por isso, precisam ser tratados com cuidado.

Quando eu me amo como respeito Deus, e amo o próximo como respeito Deus, o amor deixa de ser comércio. Ele passa a ser reconhecimento. Eu vejo Deus em mim, vejo Deus no outro e trato ambos com dignidade.

O amor também inclui a natureza e os objetos

Amor incondicional não se limita aos seres humanos. Ele inclui tudo. A árvore, a formiga, o rio, o animal, o livro, o alimento e o corpo físico também são expressões de Deus. Tudo merece algum nível de respeito.

Quando jogo esgoto no rio, estou poluindo Deus. Quando corto uma árvore sem consciência, estou ferindo uma forma de Deus. Quando maltrato um animal, estou desrespeitando uma expressão do Criador. O amor precisa alcançar toda a existência.

Isso não significa criar um amor romântico por objetos. Significa respeito. Um livro envelhece, páginas caem, objetos quebram, corpos mudam. O amor verdadeiro compreende a impermanência e respeita aquilo enquanto está presente.

O amor verdadeiro não é posse, é respeito

No fim, a grande pergunta é: o que estou amando? Estou amando Deus no outro ou estou amando um objeto que quero possuir? Estou respeitando a existência do outro ou tentando moldá-lo para satisfazer minhas necessidades?

Quando amo apenas o corpo, sofro quando o corpo muda. Quando amo apenas a função que alguém exerce, sofro quando essa função termina. Quando amo como posse, sofro quando a vida mostra que nada permanece do mesmo modo.

Amar de verdade é respeitar Deus em todas as formas. É permitir liberdade, presença, movimento e verdade. O amor do ego prende. O amor do divino reconhece. E quanto mais reconhecemos Deus em tudo, mais perto chegamos do amor incondicional.