Curso de Espiritualidade Gratuito
Aula 4 - Como praticar espiritualidade
Nessa aula você aprenderá como praticar espiritualidade na vida comum, entendendo que matéria, corpo e consciência não estão separados.
Por Prof. Tibério Z
Quando alguém pergunta como começar na espiritualidade, geralmente parte da ideia de que está fora dela. Parece que existe uma vida material distante de Deus e, em algum momento, seria necessário entrar em um caminho espiritual para se reconectar.
O primeiro ponto é compreender que essa separação não existe. Tudo é material e espiritual ao mesmo tempo. A experiência no planeta Terra não está fora da espiritualidade. Ela é uma experiência espiritual vivida por uma consciência dentro de um corpo físico.
Nunca estivemos desconectados da espiritualidade. Nascemos nela, vivemos nela e continuaremos nela. A vida material não é o contrário da vida espiritual. Ela é apenas uma das formas pelas quais a consciência experimenta a existência.
Tudo é material e espiritual ao mesmo tempo
Existe uma confusão quando se fala em outras dimensões. Muitas pessoas imaginam o plano astral como algo sem matéria, como se fosse um espaço sem estrutura. Mas quem vive naquela dimensão percebe aquela realidade como material dentro daquele próprio campo.
O mesmo vale para outras dimensões. Um corpo astral, um corpo físico ou um corpo de quinta dimensão possuem estruturas próprias. O átomo, as partículas e as formas de organização da matéria mudam, mas a experiência continua tendo algum tipo de materialidade.
Por isso, não existe nada que seja apenas material e nada que seja apenas espiritual. Tudo participa dos dois aspectos ao mesmo tempo. Estamos sempre presentes em alguma forma de matéria, vivendo experiências espirituais através dela.
A religião criou a ideia de separação
A ideia de começar na espiritualidade nasce muito da experiência humana na Terra. Desde cedo, percebemos o mundo pelos cinco sentidos e ficamos presos ao que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e provamos. Aquilo que não aparece aos sentidos parece distante.
As religiões surgiram para explicar o invisível, falar sobre o outro lado e organizar uma relação entre o ser humano e Deus. Muitas nasceram a partir de profetas e mestres, mas depois foram transformadas em instituições, regras, dogmas e caminhos fechados.
Com isso, surgiu a ideia de que é preciso seguir um manual para se aproximar de Deus. A espiritualidade passou a parecer algo distante, condicionado a uma doutrina. Mas a ligação com Deus nunca foi perdida, porque nada existe fora dele.
Não existe Deus separado de nós
Deus não está em um lugar distante, separado do ser humano. Não existe Deus lá e nós aqui. Tudo é emanação do próprio Criador. Cada ser, objeto, corpo e experiência é uma expressão desse mesmo princípio manifestado de formas diferentes.
O ego permite essa individualização. Tibério, Maria, José, um animal, uma mesa ou uma parede são máscaras do Criador. Cada forma permite que Deus experimente a si mesmo de outro modo, em outro ponto de vista e em outra expressão.
Por isso, não há como começar na espiritualidade como se ela estivesse ausente. Todas as experiências já são espirituais. O que muda é o grau de consciência com que a pessoa percebe que está vivendo dentro do próprio Criador.
O sofrimento nasce quando o ego se sente separado
O ego sofre porque acredita que existe separado de Deus. Ele se enxerga como uma identidade isolada, com vontades próprias, medos, desejos e necessidades. Quanto mais se prende a essa separação, mais luta contra o fluxo natural da vida.
Daí surgem imagens como o Deus punidor ou o Deus que recompensa a boa criança. A pessoa passa a viver com medo, culpa ou expectativa. Ela pede para Deus aquilo que acredita não ter, esquecendo que carrega uma partícula divina dentro de si.
Quando o desejo se transforma em falta, a pessoa se desconecta internamente. Ela entrega seu poder a algo externo e passa a viver como se Deus estivesse longe. Essa é uma das grandes causas do sofrimento criado pelo ego.
Somos ego e divino ao mesmo tempo
Para compreender a espiritualidade, é preciso reconhecer que existe ego e divino dentro de nós. O ego é a máscara, a individualidade, a persona. O divino é a essência que sustenta a vida, alimenta o ser e permanece além da aparência.
O objetivo não é destruir o ego. Se o ego desaparecesse, a individualidade também desapareceria. A questão é equilibrar essas duas partes, permitindo que o ego deixe de dominar tudo e passe a ser uma ferramenta mais sadia do divino.
A sociedade, porém, alimenta o ego o tempo todo. Desde a escola, somos ensinados a competir, comparar, vencer e provar valor. Essa educação fortalece a máscara e enfraquece o contato com a parte divina que deveria conduzir a vida.
A meditação ajuda a silenciar o ego
Um dos caminhos para equilibrar ego e divino é a meditação. Quando a pessoa tenta ficar quieta por alguns minutos, percebe o barulho mental. Surgem lembranças do passado, projeções do futuro, medos, desejos, mágoas, ansiedade e preocupação.
Esse movimento é o ego tentando se manter. Ele se sustenta pela história que conta sobre si mesmo e pelas imagens que projeta. Quando a meditação cria pequenos espaços de silêncio, o divino começa a aparecer nesses intervalos.
No começo, esse silêncio pode durar apenas um segundo. Com a prática, os intervalos crescem. Quanto mais silêncio existe, mais contato com o divino acontece. Esse contato abastece o ser com energia, clareza, presença e mais equilíbrio interior.
Começar na espiritualidade é viver sem fugir da humanidade
Depois que o divino começa a iluminar o ego, aparecem as sombras. Orgulho, raiva, inveja, carência, culpa e medo fazem parte da experiência humana. Negar essas sombras só aumenta sua força. O caminho é olhar para elas e compreendê-las.
Ser espiritual não é tentar virar um ser perfeito distante da vida. Antes de buscar uma iluminação idealizada, é preciso ser humano. Isso inclui errar, sentir, cair, levantar, reparar o que for possível e parar de transformar tudo em culpa.
Começar na espiritualidade é compreender que tudo é divino, que temos ego, sombras e essência, e que estamos aqui para viver. A espiritualidade começa quando a pessoa para de fugir da vida e se permite viver as experiências com mais consciência.