quem é Deus
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp

Quem é Deus

Quem é Deus? Vamos refletir nesse artigo sobre essa profunda questão metafísica.

Dentre todos os paradigmas, o que acredito ser o mais urgente a ser quebrado pela humanidade é o paradigma de Deus.

Porque esse paradigma influencia completamente nossa vida, mesmo que não percebamos isso a maior parte do tempo.

A primeira coisa que podemos falar de Deus, é que não podemos falar nada Dele. Absolutamente nada!

Pois nada do que imaginamos ou sonhamos que Deus seja, pode realmente ser quem Ele é.

Ele é tão grandioso, tão abstrato, tão complexo e ao mesmo tempo tão simples, que qualquer suposição humana a respeito de Deus é apenas uma suposição. Nossa mente racional não é capaz de calcular, imaginar, entender ou compreender o que Ele é.

Por isso que sempre que falamos sobre Deus estamos no campo das suposições. A verdade, essa verdade que todo mundo busca do que é Deus, acredito que nem os Mestres Ascensos, nem seres com a consciência muito expandida, são capazes de compreender totalmente.

Porém, apesar de não sermos capazes de entendê-lo, podemos senti-lo.

Sentir é o que nos aproxima de Deus.

Mas onde sentimos Deus?

O sentimos em tudo. Tudo que existe pode ser um caminho de conexão, um caminho para Ele.

Sentimos Deus, comendo.

Sentimos Deus, respirando.

Sentimos Deus, no pôr do sol.

Sentimos Deus, quando abraçamos alguém que amamos.

Sentimos Deus de milhares de formas, porque Ele é tudo.

Deus é tudo.

Ele é o começo e o fim.

É toda matéria existente no universo em todas as dimensões.

Isso é o máximo que podemos falar Dele.

curso expansão da consciência

Mas se não podemos falar do que Deus é, podemos falar do que Deus não é.

E é nessa hora que entramos em questões espinhosas.

O ser humano na Idade Média acreditava que a Terra ficava no centro do universo e que por consequência, os humanos também eram o centro do universo.

Acreditavam que tudo era uma representação de si e que o homem era a criatura mais perfeita criada por Deus.

Logo, Deus era uma representação humana da perfeição.

Percebam que da Era Medieval até hoje, esse conceito pouco mudou. O nosso Deus, o Deus que a maioria das pessoas acredita, continua sendo um Deus humano.

O que é um Deus humano?

Transformamos Deus em uma representação do homem quando elevamos Ele às máximas qualidades que concebemos e transformamos esse ideal em uma imagem Dele.

Mas Deus não é humano. Ele é tudo que existe.

Essa representação do Deus humano nos afasta Dele e complica toda nossa vida. Porque um Deus humano tem um humor humano. E sabemos que o humor humano é totalmente variável.

Se Deus é como nós, pode acordar um dia muito feliz, querendo dar tudo que a humanidade precisa. E isso é claramente visto em expressões religiosas mais antigas, por exemplo, que a colheita tinha sido farta porque Deus estava de bem com a humanidade, mas essa ideia do Deus humano se perpetua até hoje.

E é claro, o humor de Deus pode de repente mudar. Ele pode ficar ressentido, com ciúmes, bravo ou vingativo e nos punir de algum modo.

Então esse Deus humano pode ser amável, pode nos presentear, mas também pode ser um Deus vingativo, raivoso e que castiga.

Isso nos leva à ideia de pecado.

Acreditar no conceito de pecado complica ainda mais nossa vida. E mesmo que digamos que não acreditamos nele, a verdade é que a ideia de pecado está entranhada em nosso inconsciente.

Porque nascemos em uma sociedade, em especial aqui no Brasil, cristã. Fomos educados, de geração em geração, querendo ou não, de maneira cristã, portanto, com essa ideia de pecado programada em nossa mente.

Tão programada que quando erramos de algum modo na vida, acreditamos que fizemos algo contra Deus e por isso merecemos ser punidos.

Assim vemos toda uma sociedade, todo um planeta, mergulhados em tristeza e culpa por acharem que merecem ser punidos por suas faltas.

Mas perguntem-se, que ser humano não erra?

Porque basicamente nossa fonte de aprendizado é o erro. É impossível aprender sem errar.

Por isso, desde que nascemos até o momento em que morremos, e nem vamos falar de outras vidas, erramos sem parar. Nossa vida é uma sucessão de erros e eles são necessários para nosso aprendizado e crescimento.

Quase sempre descobrimos o modo certo de fazer algo ou agir, porque antes fizemos muitas vezes do modo errado. É errando que percebemos que aquelas não foram as melhores escolhas ou ações e reajustamos o caminho.

Então, se todos nós erramos praticamente a todo momento e temos um Deus que pune o erro, como é a nossa vida?

É uma sucessão de culpas.

Quando erramos e acreditamos ter feito algo contra Deus, que Ele irá nos punir ou já está nos punindo por isso, acabamos fazendo as suposições mais absurdas a respeito disso. Dizemos:

“Estou doente porque Deus está me punindo.”

“Sou pobre porque Deus está me castigando.”

“Tenho um relacionamento ruim porque não mereço algo melhor.”

Em meu ponto de vista, essa ideia do Deus que pune o homem que peca é uma das principais causas de culpa e sofrimento da humanidade.

Criado para sugar as pessoas, para que elas se sintam inferiores e sejam mais facilmente dominadas e escravizadas.

Toda neurose social que observamos, esses absurdos que lotam os noticiários vem, no fundo, bem lá no fundo, da ideia de pecado e punição que está em nosso inconsciente.

Esse medo constante de Deus faz com que nos revoltemos contra Ele, que queiramos ir contra Ele, a não concordarmos com o que acreditamos que Ele é como Ele age.

E se estamos revoltados com Deus fazemos de tudo para machucá-lo. Quando o medo da punição aumenta, tentamos barganhar com Ele, tentamos comercializar com Deus.

Fazemos uma boa ação esperando agradá-lo ou esperando algo em troca. E quando esse algo que queremos não vem, nos revoltamos ainda mais contra Ele.

Nossa sociedade está baseada nisso, em tentativas frustradas de fazer comércio com Deus.

Como disse, tudo o que falamos de Deus é uma hipótese. É impossível determinar ou saber o que Deus é. Mas vamos imaginar que Deus é o extremo amor e a extrema felicidade que existe.

Então, pergunto, como um ser que tem extremo amor pode punir alguém?

Não tem como, não é?

Mas se acreditamos que Deus pune alguém por seus erros, por seus pecados, esse Deus não é um ser de extremo amor. Logo, o Deus que a maior parte da humanidade acredita, não é um Deus de amor.

É um Deus de vingança, um Deus de raiva, um Deus de punição.

Um Deus que criou criaturas imperfeitas sabendo que elas errariam e mesmo assim pune essas criaturas por seus erros.

Um Deus sádico.

Se estamos à mercê de um Deus sádico, estamos todos perdidos e constantemente com medo Dele.

A humanidade acredita em um Deus sádico, porque esse Deus reflete seus próprios pensamentos e sentimentos.

Mas o pensamento de Deus não é o pensamento humano.

Deus não pensa como um ser humano.

Uma parte de Deus é o ser humano, mas o pensamento Dele não é o nosso pensamento.

Por isso, precisamos desvincular os nossos pensamentos e sentimentos aos pensamentos e sentimentos de Deus.

Absolutamente ninguém sabe o que Deus pensa, a não ser Ele próprio. Qualquer outra criatura pode apenas supor sobre o que Ele pensa.

E assim como o pensamento de Deus não é humano, o tempo de Deus também não é humano.

Deus tem o infinito, tudo Nele é infinito.

curso de corpos dimensionais

Mesmo na terceira dimensão, entre os cientistas que não acreditam em espiritualidade, sabe-se que o universo é infinito.

Essa informação nos dá alguma ideia de como não podemos compreender Deus. Pois imaginem uma matéria que começa e nunca termina, com infinitos planetas, infinitas estrelas e infinitos buracos negros.

Tentem realmente imaginar a grandiosidade disso. E estamos falando só dessa dimensão.

Se o tempo de Deus é infinito, uma criatura Dele que está por cem ou duzentos anos se negando a aprender algo e por isso sofre, já que todo sofrimento vem da ignorância, para Ele, cem ou duzentos anos não são nadas.

Afinal, o que são duzentos anos perto da eternidade?

Pense em um pai que ama muito seu filho. E observa que ele reluta muito em aprender algo importante e que por isso sofre.

O que o pai pode fazer?

Não muito. Resta ao pai aceitar que o filho tem que passar por essas situações para aprender.

Supondo que esse filho fique dois meses passando por essa situação desafiadora até que aprenda a como agir melhor. O pai sabe que dois meses perante uma vida inteira não é muito e valerá o aprendizado.

É a mesma ideia do que ocorre conosco e com Deus.

O tempo Dele é infinito, então Ele olha uma criatura que se recusa a aprender,

a se desenvolver, a melhorar e espera.

Ele espera porque sabe que existe um infinito pela frente.

Nós temos esse infinito para nos desenvolvermos, para expandirmos a consciência. Então, qualquer tipo de sofrimento que essa jornada gere, nessa ou nas próximas vidas, é um sofrimento mínimo diante do infinito.

Já vimos que:

O pensamento de Deus, não é o pensamento humano.

O tempo de Deus, não é o tempo humano.

Outra coisa que não é humana em Deus, são as suas capacidades.

Imaginem um supercomputador quântico que calcula instantaneamente infinitas probabilidades.

Essa descrição se aproxima um pouco do que é a mente de Deus.

Ele consegue calcular infinitas variáveis ao mesmo tempo, a cada fração de segundo.

Nesse momento o seu coração está batendo, o sangue está percorrendo suas veias e artérias, seu cérebro está produzindo impulsos elétricos sem parar, seu fígado, rins e pulmões estão funcionando de maneira orquestrada.

Se formos para um nível molecular, infinitas reações estão acontecendo em seu corpo a todo instante. Em um nível atômico, seus átomos estão interagindo entre si sem parar.

Tudo isso é apenas uma fração do que está acontecendo com você. Apenas com você. Ainda temos todas as outras pessoas, todos os seres vivos, toda a matéria, todo universo, nessa e em outras dimensões, ao mesmo tempo, sendo mantidos por Deus.

Essa é a capacidade de processamento Dele.

Ele calcula instantaneamente e simultaneamente tudo o que existe.

Essa quantidade de processamento é inimaginável para nossa mente humana.

Mas por que estou falando isso?

Porque o ser humano se enche de prepotência quando se sente no direito de julgar o próximo.

“Essa pessoa não merece isso!”

“Olha o que essa pessoa fez! Ela precisa pagar por isso!”

“Essa pessoa é A, B ou C.”

Mas quem somos nós para julgar alguém?

Mal temos capacidade de compreender o que está a nossa volta, não conseguimos ver nem o que está à nossa frente, quem dirá todas as possibilidades de uma situação.

Por isso, não devemos julgar ninguém, pois sempre, sempre, um julgamento será equivocado.

Apenas Deus poderia emitir um julgamento correto.

É impossível julgarmos alguém entendendo de verdade todas as variáveis de suas ações e escolhas.

Por isso quando emitimos qualquer tipo de julgamento a alguém ou a uma situação, estamos fazendo isso através da nossa arrogância, prepotência e orgulho.

O orgulho nos leva a querer ser superiores de algum modo e portanto, a julgar.

Percebam que quando nós, seres humanos, criamos uma imagem de um Deus humano, estávamos almejando ser Deus também.

Na mitologia existem diversas histórias de humanos que quiseram ser Deus. Mesmo com nossa óbvia falta de capacidade mental e amorosa, muitos de nós tem essa pretensão.

Nossa única capacidade é viver o agora, estar no presente. É para isso que nosso corpo físico foi feito, é para isso que o nosso cérebro foi feito e é por isso que estamos na Terra, para viver o momento presente, o agora.

Mas quantos de nós realmente vive o presente? Será que aproveitamos nossa única capacidade ou estamos ocupados cuidando a vida alheia?

Nossa vontade de brincar de ser Deus existe porque não nos reconhecemos como parte Dele.

Acreditamos que só poderemos acessá-lo depois da morte.

Acreditamos que Ele está lá e nós aqui.

Mas Deus não está em um lugar específico, Ele está em todos os lugares, porque Ele é tudo que existe.

Não existe o mundo de lá, o mundo espiritual, o mundo Divino e o mundo de cá, material, onde Deus pouco nos alcança.

Tampouco existe o inferno.

Sei que muitos citarão o umbral, local conhecido, principalmente no meio Espírita, por reunir espíritos errantes, mal intencionados e em diversos níveis de sofrimento e perturbação.

Mas você já se perguntou se o umbral foi criado para que esses seres fossem para lá ou se são as próprias pessoas que estão lá que criam o umbral?

É a mesma dúvida infantil de quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha.

O umbral existe porque as pessoas que estão lá plasmam sua existência. Ele não passa de uma realidade virtual mantida pelas crenças e energia densa daquelas pessoas.

Literalmente, criamos nosso próprio inferno. Mas antes dele ser um “inferno” exterior, ele é um inferno interior. Não vamos para o umbral por um julgamento divino, vamos para lá se tivermos afinidade com a energia dele.

Não quer ir para o “inferno”?

Eleve sua frequência e se desfaça da crença de um Deus que te mandaria para lá.

Pois, não há um Deus no céu, em seu trono, olhando todas as criaturas abaixo Dele e comandando tudo de lá.

Acreditar nisso é criar uma ideia de afastamento, de que somos incompletos e separados do Todo.

Mas qualquer ideia de separação é uma ilusão.

Não estamos separados de Deus.

Acreditar que estamos separados Dele, é acreditar que Ele está constantemente nos julgando, absolvendo ou condenando, enviando para o céu ou para o inferno.

A ideia de que Deus faz isso é absurda, criada na mente humana.

Precisamos esquecer essa ideia do Deus julgador, que está afastado da humanidade.

Deus é tudo que existe, Ele é um pedaço de mim e um pedaço de você, Ele é inclusive um pedaço da mesa, um pedaço da comida, um pedaço de todos os animais, um pedaço do ar que respiramos.

Tudo isso é Ele.

Usando termos mais modernos, podemos dizer que tudo é feito de átomos.

Então, se tivéssemos um super microscópio, poderíamos observar nossa mão cada vez mais profundamente. Começaríamos vendo as células, depois as moléculas.

Entrando ainda mais nesse mundo micro, veríamos os átomos e depois deles, os prótons, elétrons e nêutrons.

Seguindo ainda mais nos prótons, encontraríamos os quarks e depois deles, as supercordas.

As supercordas é uma das teorias científicas da mecânica quântica para a formação da matéria. De modo simplista, podemos dizer que as supercordas vibram e assim toda a matéria é criada.

E se aprofundássemos ainda mais com nosso super microscópio na supercorda, teríamos o vácuo quântico.

A Nada do qual tudo emerge.

No nível atômico não existe mais individualidade, não existe eu, você, mesa e cadeira. No nível atômico só existe energia.

Então, toda energia que existe nessa dimensão e nas infinitas outras, em tudo que nós podemos conceber como realidade e além, toda essa energia é uma única energia que podemos chamar de Deus.

Por isso, Deus não está lá, distante. E é por isso que não precisamos fazer o que fazemos, sejam boas ou más ações, para chamar a atenção Dele, para ganharmos a aprovação Dele, como as crianças fazem com seus pais.

Deus não busca aprovação.

Se Ele é tudo, o que pode querer de nós?

Como poderíamos dar algo ao Todo?

É impensável.

Por isso é loucura quando tentamos comprar Deus, quando fazemos algo bom esperando que Ele nos envie um julgamento mais leve.

Percebe agora como esse pensamento está todo equivocado?

curso expansão da consciência

Quando ajudamos alguém, estamos ajudando a nós mesmos. Esse ato por si só nos traz felicidade e paz. Simples assim. Não deveria haver barganha nenhuma nisso.

Além disso, ajudamos o próximo porque ele também é parte do todo, assim como nós, ele também é Deus.

Nossa recompensa são as sensações que nossos atos nos trazem. Se fizermos o bem, felicidade e paz. Se fizermos o mal, tentarmos prejudicar ou atrapalhar de alguma forma o que quer que seja, tristeza e vazio.

Por isso sempre recomendo trabalhos voluntários, principalmente a quem já se sente deprimido. Procure ajuda médica, é claro, mas tenho certeza que essa ação extra terá um potencial de transformação positivo em sua vida certamente.

Se Deus não precisa de nada porque é tudo, o único motivo que nossa mente racional pode alcançar para que Deus tenha criado tudo isso, inclusive nós, é por amor.

Porque Ele não precisaria ter criado nada.

Nenhuma realidade que conhecemos precisaria existir se não fosse por puro amor. Simplesmente Ele ama criar e ama o que cria, mas mais que isso, Ele ama ser a própria criação.

Fazendo uma pequena comparação, Ele é como Thanos do filme Os Vingadores, se Ele estalar os dedos tudo some, tudo desaparece. Tudo só continua existindo, porque Ele ama. Sem o amor Dele nada disso existiria.

Porque se Ele não amasse plenamente, se Ele oscilasse como nós humanos oscilamos em nossos sentimentos, poderia em algum momento se entediar de nós, cansar da humanidade e dizer:

“não quero mais saber de nada disso, cansei do meu trabalho! Acabou!”

E aí tudo desapareceria.

Voltando um pouco, sempre quando falo que não existe eu, você, João, Pedro e Maria, surgem muitas dúvidas a respeito disso, pois é difícil entender que não existimos individualmente.

E é difícil nos libertamos dessa ilusão de separação justamente porque há um mecanismo que nos faz crer nessa individualidade dos seres, o Ego.

Vamos supor que Deus estava a eternidade sem fazer nada e talvez um pouco entediado, então resolveu criar tudo.

Aí Ele criou eu, você, a mesa, a cadeira, o passarinho, o cachorro, o elefante e tudo mais para brincar de ser todas essas criaturas.

Deus está brincando de ser eu.

Deus está brincando de ser você.

Deus está brincando de ser a cadeira.

Deus está brincando de ser a parede.

Deus está brincando de ser tudo.

Cada coisa, inclusive nós, é como um tentáculo Dele.

E esses tentáculos de Deus interagem uns com os outros.

Portanto, Deus interage com Ele mesmo através dessas pequenas partes de Si.

Desse modo, Ele cria infinitas possibilidades de ampliar seu banco de dados, seu conhecimento, suas informações, tudo.

Sei que é muito complexo entender a unicidade. Levei anos lendo teorias e buscando compreender racionalmente. Até o dia em que a compreensão chegou, mas porque eu a senti.

Vou contar como aconteceu para mim.

Eu participava de um grupo da Fraternidade Branca toda sexta-feira. Um dia, depois de ter acabado nosso encontro, estava retornando para casa caminhando pela Avenida Paulista, que fica em São Paulo e de repente eu não sentia mais o chão, não sentia mais minhas mãos, não sentia meu corpo físico.

Eu olhava para as coisas e só via Deus.

O prédio era Deus, as pessoas eram Deus, a rua era Deus, os carros eram Deus, tudo era Deus. Naquele momento caíram todas as fichas.

Acredito que eu vinha buscando em várias e várias vidas essa compreensão. E naquele momento ela finalmente chegou. Mas mais do que entender, eu senti.

Dali para frente minha vida nunca mais foi igual, não no sentido do dia a dia, mas no meu modo de ver o mundo.

Quero deixar claro que não sou Harry Potter, não saem raios pelas minhas mãos, nem nada de extraordinário. Sou uma pessoa comum.

Mas através dessa experiência que passei a entender que meu próximo era Deus, que os cachorros eram Deus, que o chão era Deus, que o sapato era Deus, que tudo é Deus.

E, claro, se tudo é Deus, tudo merece respeito, absolutamente tudo.

Os monges budistas quando caminham pela estrada vão com uma vassourinha afastando as formigas.

Eles as retiram do caminho para não pisarem nelas.

Eles não querem pisar em Deus.

Esse hábito dos monges budistas pode nos parecer extremo, até porque vivemos em um mundo em que muitas pessoas sequer acreditam em Deus.

Mas a questão sobre acreditar ou não em Deus, ser ou não ateu, é mais profunda do que inicialmente pode parecer.

Pense comigo, se uma pessoa não acredita, por exemplo, no Deus Cristão, ela é considerada ateia. Mas, se essa mesma pessoa que não acredita no Deus Cristão, nesse Deus que pode ser vingativo, raivoso e punitivo, um homem barbado sentado em um trono julgando todo mundo, acreditar, por exemplo, que Deus é a natureza, essa pessoa ainda poderia ser considerada ateia pelos cristãos, certo?

Então existem vários níveis de raciocínios quanto a ser ateu.

E se for para acreditar nesse Deus de barba sentado no trono julgando todo mundo, eu também posso ser considerado um ateu.

Pois esse não é o meu Deus.

Meu Deus é amor.

Quando retornei da minha experiência de unicidade parei de brigar com qual era o sentido da vida se eu não era ninguém, porque entendi em um nível além do racional, que o sentido da vida era apenas ter paz e ser feliz.

E nós, seres humanos, temos basicamente dois tipos de sentimentos, a tristeza e a felicidade.

Por quê é assim eu não sei, mas sei as causas e os efeitos disso.

Eu sei que posso sentir tristeza e que posso sentir alegria. Também sei que quando eu sinto alegria e estou em paz, tudo está certo. Mas quando estou triste, nervoso ou atormentado, nada está certo.

Então, o sentido da vida para seres como nós, recompensados com sensações, é ser feliz e estar em paz.

Pois, sendo feliz e estando em paz, temos a sensação interna de que está tudo bem. E precisamos de algo além disso?

Creio que não, não precisamos de mais nada. Pois, se somos felizes e temos paz, o que mais podemos querer?

Pense.

Pense no nível existencial, precisaríamos de mais algo?

O que mais poderíamos querer além de paz e felicidade plenas?

Porque tudo o que fazemos, os absurdos que a humanidade comete, esse materialismo desenfreado, essa loucura social, no fim das contas, é porque buscamos paz.

Quando vamos ao shopping e gastamos um dinheiro que não temos comprando coisas que não precisamos, no fundo, bem lá no fundo, estamos buscando a sensação de paz.

As pessoas compram desenfreadamente porque naqueles poucos momentos elas sentem paz. Um esboço da verdadeira paz. Mas depois, passado o instante de paz e alegria fugaz, elas sentem novamente a infelicidade e a tristeza.

O vazio retorna.

Por isso, muitas vezes não entendemos os caminhos que as pessoas escolhem percorrer. Mas elas estão buscando paz e felicidade, mesmo que em caminhos que trazem ainda mais tristeza e tormento para a vida delas.

Imagine que você é um alquimista e tem em sua frente várias substâncias que não sabe para que servem.

Então resolve testá-las. Você mistura a substância A com a B, a C com a D, a E com a substância F e assim por diante. Você quer saber quais são as possibilidades e de acordo com os resultados vai aprendendo que algumas misturas funcionam e outras não.

Você segue fazendo esses testes vida após vida, testando possibilidades, ações, sensações, vendo o que traz paz, alegria e o que traz tristeza e aborrecimento.

Em alguma vida você tentou algo por muito tempo mas chegou à conclusão que aquele não foi o melhor caminho.

Então recomeçou e na outra fez escolhas melhores.

Todo esse tempo, Deus está simplesmente nos observando testar, observando sermos alquimistas de nossa própria existência.

Pois sabe que quanto mais testamos, quanto mais experienciamos, erramos e aprendemos, mais conhecimento e sabedoria adquirimos, assim refinando gradualmente nossas escolhas e vontades.

E quanto mais sábios ficamos, mais paz e alegria alcançamos.

Agora imagine que Deus falou assim:

“vou esquecer que sou Deus, vou entrar nesse corpo físico e fingir que sou Tibério”.

Pois, se o Tibério lembrasse desde o começo que é Deus não teria graça.

É como um ator que precisa esquecer de si e viver o personagem enquanto a cena ocorre.

Por isso Deus criou o ego como mecanismo de esquecimento, assim Ele esquece que é Deus.

Deus é o ator. O ego é o personagem.

E toda vivência do personagem gera informações para o ator.

Ou seja, toda vivência do ego gera informações para Deus.

E estava tudo bem assim, até que o ego se revoltou. O personagem quis ser mais que o ator.

O ego passou a se ressentir:

“Como eu não sou ninguém? Eu sou a Maria, eu sou o João, eu sou o Tibério! Quem é esse ator que nunca mostra a sua face? Eu sou verdadeiro, Ele não! Vamos esquecer essa coisa de Deus.”

O ego, o personagem, passou a tentar tomar conta do ator, de Deus.

Mas viver a vida do ponto de vista do ego é que nos fez perder a noção de unicidade, de eternidade, que torna o mundo um lugar cruel e injusto. Esquecemos que somos eternos e que há uma sabedoria infinitamente maior que a nossa orquestrando tudo.

E o que Deus faz vendo o ego surtar?

Ele espera pacientemente que o surto passe.

Afinal, uma hora vai passar. Nem que fique três, quatro, dez vidas surtadas, achando que está separado do Todo. Um dia o ego lembrará de novo que também é Deus, que é um com tudo.

E como lembramos que somos uma parte Dele?

Pensar nisso é o primeiro passo e se você está aqui lendo sobre Deus é porque já avançou nele. Mas tentar compreender racionalmente nossa parte Divina é extremamente limitado, por isso precisamos sentir.

Quem já teve experiências de conexão, seja em meditação profunda ou algum estado de transe, qualquer uma dessas coisas que costumam ser chamadas de místicas, e que, na verdade, são a conexão com o Divino que há em nós, sabe que somos instantaneamente invadidos pela sensação de que tudo está certo.

Os problemas deixam de ter importância, as necessidades somem, as preocupações ficam cada vez menores, porque estamos em contato com Ele.

Mas as pessoas costumam pensar que esse encontro é para alguns privilegiados ou tem medo de tentar porque imaginam que coisas mirabolantes podem acontecer a partir dele, mas garanto que não vamos desaparecer, nem deixar de sermos nós, nada acontece além de sabermos que tudo está certo.

E isso parece tão pouco, mas, ao mesmo tempo, muda tudo.

É claro, logo voltamos para o ego, a meditação acaba, o transe passa, a “vida real” nos chama. Os problemas retornam. Mas estamos aqui para viver o personagem, não há problema nisso.

Não estamos aqui para vivermos nossa partícula divina. Se fosse para viver nossa partícula Divina em completude nós nem encarnaríamos como personagem.

Mas estamos aqui para lembrar da partícula divina em nós, para nos conectarmos com ela em alguns momentos e observar o equilíbrio que isso trará para nossa vida, o que a conexão com nossa parte Divina pode fazer de melhor por nós.

Por isso que cada vez mais se bate na tecla da meditação, cada vez mais se fala da importância de parar, de ter um tempo para si, para não se deixar ser engolido pelas tarefas e pelas responsabilidades mundanas. Que esse não é o sentido máximo da nossa existência, embora também não devemos negá-lo.

Precisamos simplesmente parar por alguns momentos, respirar profundamente, fechar os olhos e acalmar a mente.

Não podemos mais nos dar ao “luxo” de achar que não temos 10 minutos em nosso dia para nos conectarmos com Deus.

Mas ainda sim, se achamos que não temos esses 10 minutos diários, devemos fazer o que acreditamos ser possível, mesmo que seja uma vez por semana.

Então, mesmo que pareça pouco, em algum momento se conecte com Deus.

Busque-o.

Não precisa necessariamente ser em meditação, lembre-se, Deus está em tudo.

Talvez você O encontre mais facilmente enquanto cozinha, enquanto faz um pão, toca violão, pinta a sua casa ou enquanto dança. Não sei.

Só sei que certamente será fazendo algo que te dê prazer e que te faça esquecer do personagem por alguns momentos. Pois é quando o ego para de falar em nossa cabeça e o silêncio surge, que Deus pode emergir em nós.

Ele está em nosso silêncio interior esperando para ser ouvido.

Quando isso ocorre, nos sentimos preenchidos, plenos, integrados com tudo. Toda busca por uma felicidade fugaz perde o sentido, porque descobrimos a verdadeira fonte de felicidade.

Quando o personagem retorna e voltamos para o “mundo normal”, fazemos isso com mais consciência do que viemos fazer aqui, aos poucos paramos de brigar com nossa própria existência e a apreciar com mais presença cada passo dessa jornada de ser um pedacinho de Deus.

Bibliografia recomendada:
Copyright do texto © 2021 Tibério Z

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste artigo pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados, sem permissão por escrito, exceto nos casos de trechos curtos citados em resenhas críticas ou artigos de revistas.

ISBN nº 978-65-00-23711-5

Quer receber conteúdos exclusivos?

Preencha seu e-mail abaixo e receba artigos, e-books, datas de lives, novos cursos e muito mais:

A felicidade existe?
A felicidade existe? A felicidade existe e está mais perto do que imaginamos, mas a ilusão da matéria, de poder, de ser melhor que o outro nos impende de conseguir vê-la.
o que é o amor
O que é o amor
O que é o amor é um conceito pouco compreendido pelo ser humano. O amor que conhecemos é o amor do Ego, mas, o Ego é incapaz de amar.
quem é Deus
Quem é Deus
Nesse artigo vamos refletir sobre quem é Deus e como nossos paradigmas sobre essa realidade podem atrapalhar completamente nossa vida.
O que é ser terapeuta holístico
Nesse artigo vamos refletir sobre o que é ser terapeuta holístico e como ele pode ajudar as pessoas no seu equilíbrio físico, mental e espiritual.
larvas astrais e implantes energéticos
Larvas Astrais e Implantes energéticos
Larvais astrais são seres que se alimentam da energia densa em nosso corpo energético. Implantes energéticos são aparelhos implantados no nosso corpo energético para nos ajudar ou prejudicar.
Arquétipos
O que são arquétipos
A compressão dos arquétipos é fundamental para compreender as programações básicas que sua mente e sua vida estão alinhadas.

Quer receber conteúdos exclusivos?

Preencha seu e-mail abaixo e receba artigos, e-books, datas de lives, novos cursos e muito mais: