Mindfulness

O que fazer quando a mente divaga durante a prática

Entenda o que fazer quando a mente divaga durante a prática de mindfulness e como transformar distração em retorno consciente.

Prof. Tibério Z

Por Prof. Tibério Z

Pessoa praticando mindfulness enquanto pensamentos se afastam e retornam suavemente à atenção presente

Quando a mente divaga durante a prática, isso não significa que mindfulness falhou. Significa apenas que a atenção saiu da âncora escolhida e começou a seguir pensamentos, lembranças, preocupações, sensações ou estímulos externos.

Neste artigo, você vai entender como reconhecer a divagação, como retornar sem autocrítica e por que cada volta consciente faz parte do treinamento. Para a base completa do tema, veja também o guia sobre mindfulness para iniciantes.

A prática não exige concentração perfeita. Leia o artigo completo para aprender como transformar distração em oportunidade de presença, sem brigar com a mente e sem medir sua evolução pela quantidade de pensamentos.

Reconheça que a mente divagou

Durante a prática, você pode começar observando a respiração e, alguns segundos depois, perceber que está planejando o restante do dia.

Talvez esteja revivendo uma conversa, imaginando problemas ou pensando se está praticando corretamente.

Quando notar isso, reconheça de maneira simples:

“Eu me distraí.”

Não procure descobrir imediatamente por quanto tempo esteve ausente nem por que aquele pensamento apareceu.

Essas perguntas podem iniciar uma nova sequência mental.

O primeiro passo é apenas recuperar a consciência do que está acontecendo.

Você estava seguindo um pensamento.

Agora percebeu.

Esse reconhecimento já interrompeu o piloto automático.

Não transforme a distração em fracasso

Depois de perceber que a mente divagou, é comum surgir autocrítica:

“Não consigo me concentrar.”

“Estou fazendo tudo errado.”

“Minha mente é agitada demais.”

Essas frases são novos pensamentos. Elas também podem ser observadas.

Em vez de aceitá-las como conclusões, reconheça:

“Autocrítica.”

Depois, retorne à prática.

Você não precisa sentir-se satisfeito por ter se distraído. Precisa apenas evitar adicionar julgamento desnecessário à experiência.

A mente divagou uma vez.

A autocrítica pode fazê-la permanecer distante por vários minutos.

Um retorno simples costuma ser mais útil do que uma longa discussão interna sobre seu desempenho.

Nomeie brevemente o que apareceu

Nomear a distração pode ajudar a reconhecer sua natureza sem entrar completamente em sua história.

Utilize palavras curtas:

“Planejamento.”

“Preocupação.”

“Lembrança.”

“Fantasia.”

“Julgamento.”

“Som.”

“Sensação.”

A palavra não precisa descrever perfeitamente o conteúdo.

Sua função é criar um pouco de distância entre você e aquilo que apareceu.

Em vez de continuar pensando sobre uma reunião, você reconhece:

“Planejamento.”

Depois, volta à respiração ou a outra âncora.

Caso comece a analisar qual seria o rótulo ideal, simplifique:

“Pensamento.”

A nomeação deve facilitar o retorno, não transformar-se em outra tarefa complicada.

Retorne à âncora escolhida

Depois de reconhecer a distração, leve a atenção novamente à âncora.

Se estiver utilizando a respiração, procure a sensação mais evidente naquele momento. Pode ser o ar passando pelo nariz, o movimento do peito ou a expansão do abdômen.

Se a âncora forem os sons, escolha aquilo que consegue ouvir agora.

Se estiver caminhando, volte ao contato do próximo passo com o chão.

Não tente recuperar o estado que possuía antes da distração.

Retorne para a experiência atual.

A respiração pode estar diferente. O corpo pode estar mais tenso. Outros sons podem ter surgido.

Mindfulness não exige voltar a um momento anterior.

Exige perceber o que está presente agora.

O que fazer quando o mesmo pensamento retorna?

Alguns pensamentos aparecem repetidamente.

Pode ser uma preocupação, uma tarefa pendente ou uma conversa que ainda produz emoção.

Quando retornar, reconheça novamente:

“Preocupação.”

E volte à âncora.

Não considere a repetição uma prova de que o método falhou.

A mente retorna ao que considera importante, ameaçador ou inacabado. Você não precisa resolver todo esse conteúdo durante a prática.

Caso exista uma ação concreta que não pode ser adiada, encerre a sessão e cuide dela conscientemente.

Se nenhuma ação for possível naquele momento, reconheça:

“Não preciso resolver isso durante estes minutos.”

Depois, retorne.

Talvez o pensamento volte várias vezes.

A prática consiste em responder a cada retorno sem transformar a insistência da mente em uma disputa.

E quando percebo a distração muito tarde?

Às vezes, você passa vários minutos envolvido em pensamentos antes de perceber.

Não tente reconstruir cada etapa nem calcular quanto tempo perdeu.

No momento em que reconheceu a distração, a consciência já retornou.

Diga mentalmente:

“Percebi agora.”

E volte à âncora.

Não existe um ponto em que a prática fique irreparavelmente perdida.

Mesmo que você tenha passado quase toda a sessão distraído, o último instante de percepção continua sendo significativo.

Com a repetição, você pode começar a notar a divagação mais cedo.

Primeiro, percebe depois de cinco minutos.

Depois, talvez note após um minuto.

Mais tarde, reconhece o pensamento antes que ele se transforme em uma longa sequência.

Essa percepção mais rápida é um dos sinais de desenvolvimento.

Como lidar com distrações externas?

Nem toda distração é um pensamento.

Sons, movimentos, coceiras, temperatura e outras sensações também podem capturar sua atenção.

Quando isso acontecer, você pode reconhecer:

“Som.”

“Coceira.”

“Frio.”

Depois, decidir conscientemente como responder.

Nem toda sensação precisa ser ignorada. Caso exista dor, desconforto intenso ou alguma necessidade real, ajuste a postura ou interrompa a prática.

Quando o estímulo não exige ação, observe-o por alguns instantes e retorne à âncora.

Mindfulness não significa fingir que o ambiente desapareceu.

Significa perceber os estímulos sem ser automaticamente conduzido por todos eles.

A distração pode se tornar parte da prática?

Sim.

Em vez de retornar imediatamente à respiração, você pode observar por alguns instantes como a distração se manifesta.

Se surgiu preocupação, perceba:

  • quais palavras aparecem;
  • onde existe tensão no corpo;
  • qual emoção acompanha o pensamento;
  • que impulso ele produz.

Depois, volte à âncora.

Esse tipo de observação ajuda a reconhecer os padrões que normalmente acontecem fora da consciência.

Entretanto, tenha cuidado para não transformar a prática em análise de problemas.

O objetivo não é explicar toda preocupação ou encontrar uma solução naquele momento.

É observar como ela aparece e como influencia sua experiência.

Quando perceber que começou a desenvolver novamente a história, retorne.

Quantas vezes devo voltar?

Quantas forem necessárias.

Sua mente pode divagar cinco, vinte ou cinquenta vezes durante uma sessão.

Não existe um número aceitável de distrações.

Cada retorno constitui uma repetição do treinamento da atenção.

Imagine alguém fortalecendo um músculo. O desenvolvimento acontece pela repetição do movimento, e não pela permanência imóvel em uma única posição.

Da mesma forma, mindfulness se fortalece quando você:

  1. percebe a distração;
  2. reconhece o que apareceu;
  3. retorna à âncora.

O fato de precisar repetir o processo não significa que algo está errado.

É justamente por precisar retornar que existe treinamento.

O retorno deve ser firme ou gentil?

O retorno precisa ser claro, mas não agressivo.

Você não precisa discutir com a mente, exigir silêncio ou empurrar o pensamento para longe.

Também não precisa criar uma voz excessivamente carinhosa caso isso pareça artificial.

Uma instrução neutra já é suficiente:

“Agora volto.”

Essa postura combina firmeza e ausência de punição.

Você reconhece que a atenção saiu e decide reposicioná-la.

Quando o retorno é agressivo, cria tensão. Quando é vago, a mente pode continuar desenvolvendo o pensamento.

A intenção simples de voltar oferece direção sem transformar mindfulness em combate.

Uma prática para treinar o retorno

Escolha uma âncora, como os sons ou o contato dos pés com o chão.

Durante três minutos, observe essa experiência.

Quando perceber que a mente divagou, siga esta sequência:

“Percebi.”

“Pensamento.”

“Agora volto.”

Em seguida, direcione a atenção novamente à âncora.

Não tente manter concentração perfeita.

O objetivo deste exercício é praticar especificamente o retorno.

Ao final, não conte quantas vezes se distraiu para avaliar se foi bem ou mal.

Pergunte:

“Consegui reconhecer pelo menos uma distração e voltar conscientemente?”

Se a resposta for sim, o treinamento aconteceu.

O que fazer quando voltar parece impossível?

Em alguns momentos, o pensamento ou a emoção estará muito intenso.

Você tenta retornar à respiração, mas a atenção é imediatamente capturada de novo.

Nesse caso, escolha uma âncora mais concreta.

Abra os olhos e observe cores e formas. Sinta os pés pressionando o chão. Escute o som mais próximo e depois o mais distante.

Também pode levantar-se e praticar caminhando.

Quando a experiência interna está intensa demais, ampliar o contato com o ambiente pode oferecer maior estabilidade.

Caso a prática aumente sofrimento, ansiedade ou desconexão, encerre-a conscientemente.

Retornar ao presente também pode signific reconhecer:

“Neste momento, preciso parar.”

Perceber a divagação é o retorno

A mente não precisa permanecer imóvel para que mindfulness aconteça.

Ela planejará, recordará, imaginará e se preocupará.

O treinamento está em perceber esses movimentos antes que todos eles determinem automaticamente sua atenção e seu comportamento.

Quando você reconhece que estava seguindo um pensamento, já não está completamente perdido nele.

Quando volta à respiração, ao corpo ou aos sons, realiza uma escolha consciente.

A mente divagou.

Você percebeu.

E voltou.

Mindfulness acontece nesse retorno.

Perguntas frequentes

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Prof. Tibério Z

Sobre o autor

Prof. Tibério Z tem mais de 30 anos de experiência no estudo e ensino da espiritualidade, metafísica, terapias holísticas e desenvolvimento da consciência.